quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Compromisso no trabalho ou "uma questão de índole".

Muitos administradores tem se queixado comigo sobre a sua percepção de que os seus colaboradores não se "comprometem" com o seu trabalho e com seu papel dentro da organização.
Faço uma reflexão diária sobre isso, forçada pelas condições que meu dia a dia profissional me impõe. Claro que refletir sobre o ser humano é o mesmo que filosofar, pois nunca se chega a um fim, a uma resposta definitiva ( isso é nossa essencia infinita). Mas, vamos lá....Creio que antes de tudo compromissar-se ou não com o trabalho e com todas as situações e pessoas que o envolvem, está ligado a própria cultura organizacional. Nos compromissamos por que: (A) precisamos do trabalho e há uma competitividade que nos faz temer perder nosso emprego,ou até mesmo perder nosso status dentro da organização. Se não existe qualquer possibilidade de nosso emprego ser questionado, significa "menos compromisso" ( isso é gritante na postura contínua de alguns servidores públicos). (B): Quais são as metas a serem atingidas com nosso trabalho? Falamos de objetivos concretos, medidos em números, mas também de metas subjetivas, vivenciais e responsáveis do ponto de vista da sociedade e do bem estar da coletividade. Sem trilhar o caminho de definição constante de metas e reavaliação das mesmas porque nos comprometermos?.
Consequentemente se não existem metas definidas, qualquer passo na direção do auto conhecimento, investimento pessoal, capacitação profissional, inovação, ou qualquer movimento produtivo, caem num vazio. Por que precisamos nos aprimorar se nem sabemos o que se espera de nós ou o que nós mesmo almejamos, além do nosso salário, claro?????
Evidentemente, isso é apenas um humilde recorte de todo um mapa complexo, cheio de atalhos e desvios. Mas para concluir; quando a organização se mostra deficiente em estruturar suas metas, seus objetivos, e apresenta cultura deficitária e confusa, resta confiar na dimensão individual, na ética pessoal, nos valores apreendidos junto ao meio familiar e á educação formal. Caimos então naquela frase que um sábio amigo sempre me diz para me consolar e amansar minhas frustrações e expectativas: "Gleice, essa é uma questão de índole" .

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